quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fisiologia da Fáscia:

Revendo alguns livros sobre terapia Manual, me deparei com algumas observações sobre a fáscia que podem ser relevantes nas questões ligadas ao treinamento funcional. Na minha visão o grade diferencial do treinamento funcional vem da questão da “ globalidade”, verificamos no treinamento convencional uma grande preocupação em isolar o músculo em seu movimento “agonista” através das maquinas. No treinamento Funcional utilizamos pesos livres, movimentos amplos multiplanares e multiarticulares, isto é privilegiamos o movimento global, a utilização das sinergias em seu conceito mais amplo e isso passa diretamente pela fisiologia da fascia.
Marcel Beinfait define a fáscia como um conjunto membranoso muito extenso no qual tudo se encontra ligado, tudo se encontra em continuidade. Daí surge o conceito de Globalidade. Assim todas as peças anatômicas são solidarias umas as outras. Todas participam em conjunto do movimento.
Para falar de fascia precisamos compreender um pouco de fisiologia do tecido conjuntivo, isto se torna um problema, pois poucos profissionais de educação física e fisioterapia compreendem bem esse sistema.
A função básica do tecido conjuntivo é secretar duas proteínas: ELASTINA e COLÁGENO. A elastina é uma proteína de longa duração é mais estável e pouco renovável, já o colágeno é mais instável e está em constante processo de renovação e por isso é de suma importância para a fisiologia do movimento.
O colágeno é secretado de acordo com a tensão produzida pelo tecido. Tensões mais prolongadas e contínuas levam instalação de colágeno em série, isto é os feixes conjuntivos alongam-se. Já tensões mais curtas e intermitentes levam a densificação do colágeno, este se instala em paralelo e os feixes conjuntivos multiplicam-se, tornando –se mais resistentes e compacto , porém com perda progressiva de elasticidade e comprometimento de sua função mecânica.

A Aponeurose Superficial:

Esta é a principal fascia do corpo no que diz respeito a fisiologia do movimento. É a base de toda a globalidade e dos conceitos de cadeias musculares.
Esta aponeurose projeta expansões para todos os músculos do corpo carregando através dela as tensões produzidas. Uma mesma aponeurose pode fazer parte de várias cadeias musculares,
orientando suas expansões no sentido das solicitações da cadeia a que pertence.

Dor, compensações e o conceito de Reflexo antálgico a priori:

O tecido conjuntivo fibroso e um imenso receptor sensitivo e sendo assim sua atividade permanente, aqui no caso a tensão prolongadas, os torna rapidamente dolorosos. Porém o corpo é prodigo em criar mecanismos de defesa contra essas tensões, uma segunda tensão rapidamente neutraliza a tensão inicial e uma terceira neutraliza esta e assim por diante até uma ultima tensão que não pode mais ser compensada torna- se dolorosa, ( Lei das compensações) podendo esta se localizar longe da tensão primária. Este conceito de cadeia Antálgica foi chamado por Françoise Meziéres de “Reflexo Antálgico a priori”.
Esses conceitos explicitados me levam a algumas conclusões sobre nossa pratica: Um músculo submetido a tensões curtas e intermitentes , isto é , movimento dinâmico constantemente usado nos nossos treinamentos levam a densificação do tecido conjuntivo, que leva não a um encurtamento muscular ( conceito que leva em consideração somente o tecido muscular), mas sim a uma Retração muscular ( conceito que considera tanto o tecido muscular como o conjuntivo) e na presença de um músculo retraído devemos considerar um inibido por reflexo recíproco ( inibição recíproca ).
Músculos retraídos e músculos inibidos levam a movimento ineficiente( prejuízo de coordenação motora)devido ao fato das tensões transmitidas pelo grupo sinérgico que levam ao movimento harmônico estarem prejudicadas pela alteração musculoaponeurótica.Além disso aumentam o risco de lesões.
Sobre as lesões e o tratamento delas, podemos verificar algo muito importante na questão do conceito de reflexo antálgico proposto por Meziéres. Visto que as tensões são produzidas e compensadas dentro da cadeia antálgica, a cura real só acontecerá no momento em que encontrarmos a tensão primaria e a tratarmos, o que salienta a importância de uma avaliação e de um tratamento em globalidade.

3 comentários:

gabi disse...

Voce poderia listar as referencias utilizadas para elaborar este texto

Silvia Gomes disse...

Olá, você saberia me dizer a relação entre o fortalecimento do músculo e da fáscia. Meu tema é em especial a linha alba. Um músculo reto fortalecido gera também a aponeurose mais resistente? Abraço, obrigada por compartilhar conhecimento. www.pilatespaco.blogspot.com

David Mascena CREF4875-G/CE disse...

Olá Gabi,
a Referencia principal para a elaboração do texto forma dois livros do Marcel Beinfait... Fisiologia da Terapia Manual e Fascias e Pompagens, mas na internet ja se encontra alguma coisa mais consistente sobre fascias. O pesquisador italiano Andrea Turrina talvez seja o principal estudioso nessa área e tem um blog na internet chamado "Manipulacíon de la fascia"

Silvia,

A relação da fascia com o fortalecimento do usculo esta diretamente ligada a fisiologia do conjuntivo, isso depende muito do modo com que o musculo é fortalecido, iste é , com o tipo de estimulo que é dado a ele, variando sim a formação de colágeno pelo tecido conjuntivo fascial.

Desculpem a demora para responder.